Por Leonardo Cardoso
Hoje assisti a uma das mais belas e também mais tristes cenas que já presenciei no Beira Rio: a torcida gritando “ FICA D’ALESSANDRO, FICA D’ALESSANDRO”, visivelmente El cabezon ficou emocionado com isto, braçadeira de capitão e responsabilidade de ser o maestro e o líder do time. Enquanto teve pernas, isto foi tarefa fácil. Após perder o fôlego, para quem pensava que o gringo entregaria os pontos, ledo engano, volta e meia ele dava botes, piques, marcava e orientava. A alegria de ver um mito, um símbolo com aquela camisa 10 imponente, apesar dos seus 1,70 m., dava a certeza de que ganharíamos o jogo, todavia, também dava a certeza de que poderia ser o último jogo daquele argentino marrento, chato, aliás, EXTREMAMENTE CHATO, jogar pelo INTERNACIONAL.
Alguns jogadores marcam seus clubes com gols, passes, dribles, títulos. Outros marcam seus clubes com isto e algo mais, deixam uma certa magia, uma nostalgia de que a torcida lembra dizendo “bah, te recordas daquele cara, aquele que mudava o jogo com um ataque, que brigava pelo clube, o mesmo que tentou bater em um cara com o dobro de tamanho dele...aquele que sempre deixava sua marca em gre-nais e colocava nosso centenário adversário sob nosso jugo...”. Este cara é o gringo, o argentino marrento, grande guerreiro que animou e anima nossa torcida. Fernandão foi histórico, excepcional jogador, ícone de uma era...D’Alessandro é lenda, figura mítica, mágica, está acima do bem e do mal para todas as torcidas que gostam de jogadas bonitas, futebol bem jogado, o drible, o passe rápido, a enfiada que ninguém imaginava...
Pois bem, excelente o jogo, nem tanto o resultado, mas, triste, pelo simples fato de que podemos estar nos despedindo de uma lenda...algo que marcou uma passagem da história do clube que ficará para sempre na memória do torcedor. Assim como Fernandão ficou na memória no dia da comemoração do título mundial, cantando, fazendo coro com a torcida, D’Ale ficará com suas comemorações, sua gana de vencer, as palavras de guerra contra nosso adversário regional, seu brilhantismo e suas cenas pixotescas (briga com o William na copa do Brasil)... Quem não lembra dele pegando o bumbo pra tocar em frente a torcida?
Baita noite, baita vitória e, valeu gringo, se realmente o jogo foi em tom de despedida, só posso dizer, OBRIGADO PELA DESPEDIDA, obrigado pela tua entrega no clube, boa sorte no futuro e, lembre-se: o jogador vai, a lenda fica, assim como ficaram Falcão, Carlitos, Figueroa, temos mais um, a lenda “D’Alessandro”. Nenhum jogador é maior do que o clube, mas, todo clube precisa de seus personagens míticos. Valeu e VAMO VAMO MEU INTER. Ah, e, seja para onde você for, bem, tomara que lá deixem você “jugar fútbol”.
OBS.: Texto enviado pelo Leonardo após o jogo de quarta passada, antes da boa notícia de domingo com a informação da permanência do Argentino.

1 comentários:
Jogador ídolo, aquele que não se esquece, mito em uma legião de seguidores, eu com meus apenas 17 anos, ouço meu pai torcedor do time da azenha dizer que o Internacional é um time de orgulho para o Rio Grande, não podemos perder esse gringo que se entrega em campo, que faz um grenal o jogo da sua vida, parabéns colorado pelas suas conquistas, esperei 13 anos para meu time ser vencedor, mas agora no Brasil, é apenas o Internacional campeão de tudo. Torcedor popular, aquele que briga pelo manto vermelho que diz: Ops, não sou campeão de tudo, não tenho série B, desculpe coirmão. Belo texto amigo Leonardo Cardoso.
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